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O que esperar de "A Crônica do Matador do Rei"? – parte I

“Toda a verdade do mundo está contida nas histórias, você sabe”. Temor do Sábio, capítulo 49 – O Edena Ignorante, página 347.

Essa frase dita por Elxa Dal resume exatamente a essência da Crônica do Matador do Rei.

São nas histórias, nos versos e nas músicas que encontraremos a verdade sobre Kvothe e toda a sua jornada. Os mistérios antigos estão todos ali, aguardando nossa interpretação.

E eu resolvi que era hora de me voltar à obra primorosa de Patrick Rothfuss e voltar a fazer teorias.

Sim. Depois de um grande período adormecido, o blog voltou, e dessa vez com teorias sobre A Crônica do Matador do Rei.

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Mas antes de qualquer coisa…se você ainda não leu e não tem O Nome do Vento e O Temor do Sábio… Compre seu livro clicando nas imagens abaixo.

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E depois volte aqui para ler a teoria, por que não quero estragar sua leitura.

Agora se você já tem os livros, mas ainda não leu e mesmo assim não liga para spoilers, seja bem-vinda!

As canções, histórias e poemas

Se nos pautamos nas histórias da Velha Ama para encontrar alguns indícios sobre o futuro de As Crônicas de Gelo e Fogo, em A Crônica do Matador do Rei me pautarei nas músicas e nas histórias contadas pelos personagens na trama.

Rothfuss nos dá, de maneira lúdica, informações sobre o passado e também sobre o futuro. Se percebermos com atenção, está tudo ali. Segredos escondido nas entrelinhas das estrofes de músicas cantadas na Eólica, ou nas estradas de Modeg, está camuflado em histórias de criança ou cantigas de ninar, ou até mesmo esquecidos nas páginas de antigos livros.

O livro traz muito disso em sua trama. A música e as histórias caminham intimamente interligadas a narrativa.

Então se um latoeiro cantar uma música, preste atenção.

Se uma criança na beira da estrada cantar alguns versos, preste atenção.

Se algum mercenário contar uma história ao redor de uma fogueira, preste atenção.

Se alguém for ler novamente os livros, procurem nas entrelinhas das músicas, poesia e histórias.

Agora se não quiserem ler novamente o livro ou procurar pistas, é so aproveitar os posts e usar o espaço para discutirmos sobre essa obra.

Sobre a obra de Rothfuss

Há um bom tempo, fiz um post sobre O Nome do Vento. Quem quiser dar uma olhada é só clicar aqui.

Patrick Rothfuss Amsterdam - 095

Não vou me estender aqui com novos elogios ao Rothfuss, pois sei que não vou parar tão cedo e o post ficará em segundo plano.

Mas só para não perder a oportunidade, Pat é, na minha opinião, o cara que vai elevar a literatura fantástica à um novo patamar.

É visível o conhecimento que ele tem e a paixão com a qual ele escreve. A narrativa é fascinante e os elementos criados por ele são sedutores.

Tenho certeza que A Crônica do Matador do Rei será sempre lembrada, por décadas e décadas.

 As Portas de Pedra

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O primeiro post da série “o que esperar de As Crônicas do Matador do Rei” tratará sobre o mistério que envolve o nome do terceiro livro:

As Portas de Pedra

A escolha por esse tema faz sentido, pois é bom traçarmos ou tentarmos traçar qual o plot do próximo livro e, após, desvendarmos tudo o que está ao redor disso.

Então esse é o ponto de início das teorias do blog.

Mas é claro, assim como em todas as outras teorias que fiz, no decorrer do texto vocês perceberão que uma coisa puxará a outra e fatalmente estaremos tratando de assuntos que até então pareciam desconexos.

Eu iniciei minha pesquisa pelos livros, procurando pelas tais Portas de Pedra e para minha surpresa, encontrei muita coisa.

Sim, as Portas de Pedra já apareceram e já foram citadas algumas vezes no decorrer da trama.

Elas são citadas como algo quase sagrado por Bast.

Você não faz ideia de quem eu sou.

O Cronista permaneceu muito quieto, mas não desviou o olhar.

– Juro por minha língua e por meus dentes – disse Bast, ríspido. – Juro pelas portas de pedra. Estou lhe dizendo três mil vezes: não há nada no meu mundo ou no seu que seja mais perigoso que o Cthaeh.” O Temor do Sábio – Interlúdio – Uma certa Doçura

Além de Bast, a Feluriana também cita as tais portas, mas essa citação eu vou mostrar mais a frente, pois tem uma importância ainda maior e serve para embasar alguns outros pontos da teoria.

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A localização da Porta ou das Portas de Pedra

Ao que tudo indica, existe mais de que uma porta de pedra. Todos que citam elas, sempre as citam no plural.

Por isso fui pesquisar se havia mais de uma porta que se encaixasse. Teriam que ser portas misteriosas, que chamassem atenção de alguma forma mais contundente. E encontrei. Há pelo menos dois locais diferentes em que há portas assim.

Na Universidade, mais precisamente no Arquivo

No Arquivo existe uma estranha porta feita de pedra, sem fechadura e dobradiças (ao menos não aparentemente) que despertou a curiosidade de Kvothe.

O garoto deu de cara com ela em sua primeira ida ao Arquivo.

Foi por mero acaso que topei com a porta das quatro chapas.

Era de um pedaço sólido de pedra cinzenta, da mesma cor das paredes circundantes. O umbral tinha 20 centímetros de largura, também cinzento e também feito de uma única peça inteiriça de pedra. A porta e o umbral tinham encaixes tão justos que seria impossível enfiar um alfinete em suas frestas.

Sem dobradiças. Sem maçaneta. Sem janela ou painel corrediço. Sua única característica eram quatro chapas duras de cobre. Ficavam grudadas na lâmina da porta, que se nivelava com a frente da moldura, a qual era nivelada com a parede ao redor. Podia-se passar a mão de um lado ao outro da porta praticamente sem notar qualquer divisão.

Apesar dessas ausências notáveis, aquela vastidão de pedra cinzenta era sem dúvida uma porta. Cada chapa de cobre tinha um furo no centro e, mesmo não sendo do formato convencional, certamente se tratava de fechaduras. Lá estava ela, imóvel como uma montanha, serena e indiferente como o mar num dia sem vento. Não era uma porta para ser aberta. Era uma porta para permanecer fechada.

No centro dela, entre as chapas imaculadas de cobre, se via uma palavra “gravada na pedra, em baixo-relevo: VALARITAS.

Havia na Universidade outras portas fechadas, locais em que coisas perigosas eram guardadas, onde dormiam segredos antigos e esquecidos, silenciosos e escondidos. Portas cuja abertura era proibida. Portas cujas soleiras ninguém cruzava, trancadas por segurança ou porque suas chaves tinham sido destruídas ou perdidas.

Mas todas se apequenavam se comparadas à porta das quatro chapas. Pus a palma da mão em sua superfície fria e lisa e empurrei, na vã esperança de que ela pudesse abrir-se ao meu toque. Mas era sólida e imóvel como um monólito cinzento. Tentei espiar pelas fechaduras nas chapas de cobre, mas não pude ver nada além da luz de minha vela.

Tamanha foi minha vontade de entrar que cheguei a saboreá-la. Provavelmente um componente perverso da minha personalidade transpareceu no fato de, apesar de estar finalmente dentro do Arquivo, cercado por segredos infindáveis, eu ter-me sentido atraído pela única porta fechada que encontrei. Talvez seja da natureza humana procurar coisas ocultas. Talvez fosse apenas a minha natureza.” O Nome do Vento, capítulo 34, O Caminho Bruxuleante.

 Eu não prestei muita atenção nessa porta quando li O Nome do Vento pela primeira vez. E depois, quando voltei  a ler em busca de evidências, fiquei extremamente intrigado.

Outro fato interessante de citar é… Percebam que Rothfuss já prepara Kvothe para voltar aqui.  Voltar para essa porta. A curiosidade é o que move Kvothe muitas vezes e nessa passagem é possível ver a vontade que o garoto de cabelos vermelho tem de descobrir o que há ali.

O garoto até decide perguntar a Elodin sobre a misteriosa porta em O Temor do Sábio.

 À sua menção de segredos, minha mente se deteve em um que vinha me incomodando fazia meses. O segredo que estava no coração do Arquivo.

― E a porta de pedra do Arquivo? Aquela de quatro placas. Agora que sou Re’lar, o senhor pode me dizer o que há por trás dela?

Elodin riu.

― Ah, não. Não, não. Você não almeja segredos pequenos, não é? ― comentou, dando-me um tapinha nas costas, como se eu tivesse acabado de contar uma ótima piada. ― Valaritas. Santo Deus! Ainda me lembro de como fiquei, parado diante daquela porta, olhando, intrigado.” O Temor do Sábio, Capítulo 86 – O Fogo em Si

É praticamente um prelúdio do que nos espera. Grandes segredos envolvendo as Portas de Pedra e Kvothe. Disso não resta dúvidas. E ao decorrer do post provarei que isso realmente acontecerá.

Outra porta. Nos domínios da família Lackless

Existe uma outra porta de pedra, sem fechaduras ou dobradiças, bem parecida com a porta descrita no Arquivo.

Essa porta é considerada uma antiga relíquia familiar que pertencem aos nobres da família Lackless.

– Que relíquia era essa? – indaguei.

Caudicus lavou as mãos numa cuba de porcelana e as sacudiu para secá-las.

– Ouvi dizer que, nas partes mais antigas das terras dos Lackless, na área mais antiga de sua propriedade ancestral, existe uma porta secreta. Uma porta sem maçaneta nem dobradiças.

Ele me olhou para se certificar de que eu prestava atenção e prosseguiu:

Não há maneira de abri-la. Ela fica trancada, mas, ao mesmo tempo, não tem fechadura. Ninguém sabe o que há do outro lado” O Temor do Sábio, capítulo 59 – Propósitos

Sabemos então que há, pelo menos, duas portas de pedra na história e elas são cercadas de mistério. Nos resta saber o que ou quem essas portas guarda.

A família e o nome Lackless 

Antes de adentrar no assunto “quem está atrás das portas de pedra” acho interessante passarmos a entender um pouco melhor sobre os nobres da família Lackless.

Até agora sabemos que os Lackless são uma família nobre e antiga em Vintas que guardam alguns segredos.

Há um mistério sobre o fato deles terem mudado tanto de nome conforme veremos, e por que guardam uma porta sem fechaduras ou dobradiças.

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 Chamo a atenção de vocês, pois desde O Nome do Vento, o nome dessa família é citado, e também é possível ver a citação das portas de pedra.

Algo que nem passou pela minha cabeça quando li pela primeira vez.

“Uma noite, quando eu preparava o fogo para meus pais cozinharem, mamãe me surpreendeu cantando uns versos que eu tinha aprendido na véspera. Sem que eu me desse conta de sua presença atrás de mim, ela me entreouviu recitar, distraído, enquanto batia com um graveto no outro:

Lady Lackless tem sete coisas não reveladas

 Sob o vestido negro guardadas.

 Uma é um anel, não para enfeitar,

 Outra, uma palavra ardente, não para xingar.

 Bem junto à vela do marido, secreta,

Fica uma porta sem maçaneta.

 Numa caixa que nem tampa ou chave tem

 Ficam as pedras do marido também.

 Há um segredo que ela anda guardando:

 Lackless não vem dormindo, mas sonhando.

 Numa estrada que não é para viajar

 Agrada-lhe seu enigma enredar.” O Nome do Vento, capítulo 11 – A Conexão de Ferro

Como eu disse, essas informações estão em uma singela música que Kvothe aprendeu em uma cidade pela qual sua família passou.

Então, receio que precisamos ir a fundo na história dessa família.

O nome Lackless deriva da palavra Lockless, em inglês “sem fechadura”. Só nessa explicação já sabemos da importância da família e de sua ligação intrinseca com as portas de pedra.

 A visita de Kvothe ao maer em Modeg é extremamente rica em informações sobre essa família.

Lembrando que Kvothe está fazendo uma pesquisa sobre essa família a pedido do mear, pois ele quer cortejar a herdeira Lackless, e conta com a ajuda do garoto para realizar tal ato.

 Segundo informações de Caudicus, eles são uma família muito antiga, e que mudaram de nome várias vezes no decorrer dos séculos.

Às vezes os sobrenomes se baseiam em outros mais antigos. Quanto mais velho o nome, mais se aproxima da verdade. Lackless é um sobrenome relativamente novo na família, não tem muito mais de 600 anos.

Para quebrar a monotonia, não precisei fingir espanto.
– Seiscentos anos são uma coisa nova?
A família Lackless é antiga – disse ele. Parou de andar de um lado para outro e se acomodou numa poltrona puída. – Muito mais antiga do que a casa de Alveron. Mil anos atrás, a família Lackless gozava de um poder pelo menos tão grande quanto o dos Alveron. Partes do que hoje são Vintas, Modeg e uma grande área dos Pequenos Reinos já foram terras dos Lackless um dia.

– Qual era o sobrenome deles antes disso?

Caudicus puxou da estante um livro grosso e folheou as páginas com im- paciência. – Aqui está. A família chamava-se Loeclos ou Loklos, ou Loeloes. Todos se traduzem com a mesma acepção de falta de trinco ou fechadura, na forma Lockless. A grafia era bem menos importante naquela época. O Temor do Sábio, capítulo 62 – Crise, página 566

Os Lackless e as Portas de Pedra

É possível presumir que os Lackless e a Porta de Pedra tem uma certa afinidade, não?

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Eu acredito que essa família vem, desde sua origem, mantendo fechada essa porta.

Pode ser que hoje, os herdeiros da família nem se lembrem o que há atrás daquela porta, e nem saibam mais abri-la.

Passou-se tanto tempo que ninguém mais se lembra de sua missão e guardam a porta como se fosse uma relíquia antiga. Mas uma hora lembrarão.

 Fatalmente as perguntas que surgem disso tudo, são:

– Será que algum Lackless sabe o que existe atrás daquela porta?

– Será que apenas um Lackless pode abrira aquela porta?

– Se for isso, quais Lackless temos na trama?

Meluan Lackless

A única (será?) Lackless que conhecemos até o momento é Meluan Lackless. Meluan é a mulher que se apaixonou pelo maer, graças as cartas escritas por Kvothe.

Sabemos que ela é herdeira dos Lackless. Uma mulher bonita que guarda um ódio mortal pelos Edena Ruh.

Essas três informações bastam para iniciarmos uma pesquisa aprofundada sobre a personagem.

O sentimento de ódio pelos Edena Ruh

Sobre o ódio pelos Edena, até eu me assustei quando vi a frieza de Meluan. Até então um ódio infundado.

– Como lhe pareceram as estradas, em sua vinda para Severen? – perguntei. Todos gostam de reclamar das estradas. É um assunto tão seguro quanto o clima. – Ouvi dizer que tem havido certas dificuldades com bandidos no norte – acrescentei. Tinha esperança de animar um pouco a conversa. Quanto mais ela falasse, mais eu poderia conhecê-la.

As estradas estão sempre repletas de bandidos Ruh nesta época do ano – foi a resposta fria de Meluan.

Não só bandidos, mas bandidos Ruh. Ela proferiu a palavra com uma aversão tão fria pesando na voz que senti um calafrio ao ouvi-la. Meluan odiava os Ruh. Não era a simples antipatia que a maioria das pessoas sentia por nós, mas um ódio verdadeiro, nítido, contundente.” O Temor do Sábio, capitulo 67 – Observando Rostos

A beleza e o rosto familiar de Meluan

Simplesmente ter um rosto bonito não seria motivo para chamar atenção. Feila é bonita,  assim como Denna, assim como Kvothe.

Mas apesar dela ter um rosto bonito, o que mais chama atenção na história é o modo como Kvothe fala de Meluan.

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É necessário levarmos em consideração a insistência de Kvothe em deixar claro que já viu essa mulher em algum lugar. Ele acredita que aquele rosto lhe é familiar.

“Enquanto me sentava, tentei imaginar onde poderia tê-la visto. Se as terras dos Lackless não ficassem a 1.600 quilômetros de distância, eu teria suposto conhecê-la da Universidade. Mas isso era ridículo. A herdeira dos Lackless não estudaria tão longe de casa.

Meus olhos vagaram por aquelas feições irritantemente familiares. Eu a teria conhecido na Eólica?

“Não parecia provável. Eu me recordaria. Ela era admiravelmente encantadora, de queixo forte e olhos castanho-escuros. Eu tinha certeza de que, se a tivesse visto por lá…” O Temor do Sábio, capitulo 67 – Observando Rostos

Depois disso passei a prestar atenção a todas as passagens que citavam Meluan, e asei evidências interessantes, que comprovam minha teoria sobre quem é Meluan Lackless.

Ela não é uma simples personagem que apareceu na trama sem motivos. há um motivo para Kvothe conhece-la.

Vejamos:

O motivo do ódio pelos Edena Ruh

Depois de descobrir o motivo do ódio de Meluan pelos Edena, tudo se torna esclarecedor.

Há um momento em que Kvothe está lendo um livro que contém informações sobre os Lackless.

A passagem é bem simples e Rothfuss deixa tudo muito jogado, como quem não quer dar importância ao assunto. Mas a verdade é que ali reside informações importantes demais.

“Eu havia começado uma segunda garrafa de vinho quando li que a jovem Netalia Lackless tinha fugido com uma trupe de artistas itinerantes. Os pais a haviam deserdado, é claro, deixando Meluan como a única herdeira das terras dos Lackless. Isso explicou seu ódio pelos Ruh e me deixou duplamente satisfeito por não ter tornado público o meu sangue de Edena em Severen.” O Temor do Sábio, capítulo 74 – Boatos

Sendo assim, aqui encontramos mais uma integrante da família Lackless.

Netalia Lackless, a irmã de Meluan.

Uma garota que fugiu com uma trupe de Edena, deixando para trás sua vida de nobre, e desonrando a família. Tanto que a garota foi deserdada pelos pais. Sendo assim, Meluan passou a ser a herdeira da família.

Juntando esses indícios, chego a uma conclusão sobre a identidade da irmã de Meluan…

Quem é a irmã fugitiva de Meluan Lackless? 

A mãe de Kvothe é Netalia Lackless, a irmã que fugiu de casa para se aventurar com seu amor Edena Ruh.

Se voltarmos em O Nome do Vento, encontraremos indícios que comprovam minha afirmação.

“Minha mãe tinha um talento natural para as palavras. Ambos eram bonitos, de cabelos pretos e riso fácil, eram Ruh até os ossos, e isso, a rigor, é tudo o que precisa ser dito; exceto, talvez, que mamãe tinha pertencido à nobreza antes de participar da trupe. Ela me contou que papai a seduziu a deixar “um inferno enfadonho e miserável” com melodias doces e palavras mais doces ainda.” O Nome do Vento, capítulo 08 – Ladrões, hereges e prostitutas

Isso explicaria o motivo pelo qual Kvothe acha Meluan estranhamente familiar, mas não se lembra de onde a conhece.

Uma mulher com o rosto vagamente parecido como de sua mãe.

É mais provável isso, do que acreditarmos que ele viu Meluan andando por Tarbean, ou nas redondezas da Eólica, sendo que as terras dos Lackless ficam há quilometros de distância da Universidade.

 O Sangue Lackless

E se Netalia Lackless é a mãe de Kvothe, Kvothe tem sangue Lackless.

Com essa revelação, caso seja verdade que apenas um Lackless possa abrir as Portas de Pedra, Kvothe tem o que é necessário.

Lembrando que “para abrir as portas de pedra, talvez seja necessário ser Lackless” é apenas uma suposição minha, sem qualquer base. Mas que Kvothe faz parte dessa família nobre e misteriosa, isso está provado.

Quem está por trás das Portas de Pedra?

Feluriana sabe quem é o homem e já disse isso a Kvothe.

Seu sorriso se desfez.

– mas havia um moldador que era maior que os demais. para ele, a criação de uma estrela não bastava. ele estendeu sua vontade pelo mundo e a puxou de sua casa.

Erguendo a pedra lisa para o céu, Feluriana fechou cuidadosamente um dos olhos. Inclinou a cabeça, como se tentasse encaixar a curva da pedra nos braços vazios da lua crescente acima de nós.

– aquele foi o ponto de ruptura. os antigos conhecedores compreenderam que discurso algum jamais deteria os moldadores. – Deixou a mão cair novamente na água. – ele roubou a lua e com isso veio a guerra.

– Quem foi? – perguntei.

A boca de Feluriana curvou-se num sorrisinho e ela piou como um mocho:

– quem-quem? quem-quem?
– Ele era das cortes dos Encantados? – insisti, com gentileza.
Feluriana balançou a cabeça, com ar divertido.
– não. como eu disse, isso foi antes dos encantados. o primeiro e maior dos moldadores.

– Como era o nome dele?
– nada de nomes aqui. não falarei daquele, ainda que esteja trancado além das portas de pedra. O Temor do Sábio, capítulo 102 – A Lua em Eterno Movimento

Um homem que roubou a lua e por causa de seu ato uma guerra começou. Ele era um grande moldador, o primeiro e maior de todos. E é ele que está do outro lado das Portas de Pedra.

Isso remete a uma história, contada ao redor de uma fogueira.

A história de Jax, o Sem Sorte

Lembram da história que Hespe, a mercenária?

Há um momento em que o grupo de mercenários de Kvothe, param para descansar e a mercenária do grupo conta uma história sobre um rapaz que se apaixonou e queria a Lua. (e quem é capaz de não se apaixonar e querem a lua?).

Quando li, achei a história bem inocente, mas a medida que ela se desenvolvia comecei a prestar atenção.

– Era uma vez, há muito tempo e longe daqui – disse Hespe, ao nos sentarmos ao redor da fogueira depois do jantar –, um garoto chamado Jax, que se apaixonou pela lua. Jax era um menino estranho, pensativo. Um menino solitário. Algumas pessoas falavam: “O que se pode esperar de um menino que mora sozinho numa casa em ruínas, no fim de uma estrada destroçada?” Outras diziam que o problema era ele sempre ter sido orfão. E havia quem dissesse que ele tinha uma gota de sangue encantado nas veias e que era isso que impedia seu coração de conhecer a alegria. Era um menino sem sorte, não havia como negar. ”O Temor do Sábio, capítulo 86, A Estrada Destroçada.

Um menino sem sorte. Essa frase chama atenção.

Se voltarmos à citação de Caudicus, quando explica a origem e mudança do nome da família Lackless, podemos ver que há a grafia Luckless, ou seja “Sem Sorte”.

Algumas coisas fazem mais sentido em inglês. Eu espero que não haja mais elementos que façam sentido em inglês, e não façam em português. Existe uma preguiça em reler tudo em inglês. Mas… quem sabe.

Mais revelador é o infortúnio que vem de dentro: como pode uma família prosperar, quando o herdeiro primogênito abandona todos os deveres familiares? Não admira que seus detratores comumente os chamem de “Luckless”, “sem sorte”.”O Temor do Sábio, capítulo 64 – A Fuga

Sendo assim, Jax provavelmente é o primeiro da linhagem dos Lackless. Foi ele quem roubou a lua. O grande moldador, que está atrás das Portas de Pedra.

A caixa de Jax Luckless

Em resumo o garoto se apaixona pela Lua, e tenta prender seu nome dentro de uma caixa, sem fechadura, nem trincos.

– E a caixa? – indagou Jax, que estendeu a mão e a apanhou. Era escura e fria. Tão pequena que ele podia encerrá-la no punho.
O velho estremeceu e desviou os olhos da caixa.
– Está vazia – disse.
– Como é que o senhor pode saber sem ver o interior?
– Escutando – respondeu o eremita. – Fico admirado por você mesmo não poder ouvi-la. É a coisa mais vazia que já escutei. Ela ecoa. Foi feita para guardar coisas em seu interior.
– Todas as caixas são feitas para guardar coisas em seu interior. O Temor do Sábio, capítulo 88 – Escutar

Mas ele não consegue fazer as coisas direito, e apenas uma parte do nome da Lua, fica presa.

Talvez Jax tenha demorado muito a fechar a caixa. Talvez tenha-se atrapalhado com o fecho. Ou talvez fosse simplesmente azarado em tudo. Mas, no fim, só conseguiu pegar um pedaço do nome da lua, não a coisa toda. O Temor do Sábio, capítulo 88 – Escutar

O nome da Lua foi aprisionado, ao menos metade dele, dentro de uma caixa.

E se a caixa era de Jax, e ele é um Lackless, receio que a caixa que o maer e Lady Meluan mostram para Kvothe continha o nome da Lua.

Com expressão reverente, Meluan entregou-me um pedaço de madeira escura, do tamanho de um livro grosso. Segurei-o com as duas mãos.
A caixa tinha um peso inusitado para seu tamanho e sua madeira era lisa como pedra polida. Ao deslizar as mãos sobre ela, descobri que as laterais

[…]

– Como se faz para abri-la? – perguntei. Virei-a nas mãos e senti algo mudar de lugar em seu interior. Não havia dobradiças ou tampa óbvias, nem sequer uma junção que pudesse indicar uma abertura. A coisa tinha toda a aparência de ser uma única peça de madeira escura e pesada. Mas eu sabia que era um tipo de caixa. Dava a sensação de caixa. Pedia para ser aberta. O Temor do Sábio, capítulo 139 – Sem Fechadura

A idade e os segredos da relíquia dos Lackless

É uma relíquia de família – respondi, com naturalidade. – Muito antiga…
– Que idade você diria que tem? – interrompeu avidamente Alveron.
Talvez 3 mil anos. Mais ou menos. O Temor do Sábio, capítulo 139 – Sem Fechadura

Perceberam que a caixa talvez tenha mais idade do que o início da família Lackless?

“ É muito regular para ser acidental. Como é possível que a senhora não o tenha notado até hoje? Não é mencionado em nenhuma das suas histórias?
Meluan assombrou-se.
– Ninguém pensaria em escrever sobre a caixa Lockless. Eu já não disse que este é o maior de todos os segredos?” O Temor do Sábio, capítulo 139 – Sem Fechadura

Tenho certeza que nessa caixa está escondido o nome da Lua.

Mas há algo ainda estranho nisso tudo. Não sabemos se o Luckless é bom ou mal. Ao que me parece, aos encantados ele iniciou um guerra. E aos não encantados?

Algo que me intrigou, foi o fato dos olhos do grande moldador ser semelhante com os olhos de Kvothe. Mas se o maior de todos moldadores for ancestral de Kvothe, é possível entender a mutabilidade no olhar, e o grande poder do garoto.

Feluriana cita ele como alguém que tem um olhar diferente.

– esse moldador de sombrio e mutável olhar a mão estendeu para o puro céu negro tocar. arrancou a lua, mas não a manteve parada. e agora ela oscila entre mortal e encantada.” O Temor do Sábio, capítulo 102 – A Lua em Eterno Movimento

Os segredos permeiam essa série, e tentaremos desvendar todos, ou quase todos, até termos As Portas de Pedra em mãos para lermos a conclusão dessa saga fantástica.

Conclusão

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Bom… Chegamos ao fim do primeiro post, e chegamos a algumas conclusões:

– As Portas de Pedra existem e já apareceram na história.

– Sabemos que a família Lackless tem uma grande importância relacionada à essas Portas, desde o significado do nome familiar, até a relíquia que eles guardam em suas terras ancestrais.

– Concluímos também que Kvothe tem sangue Lackless, pois sua mãe era Netalia Lackless, herdeira que fugiu com um artista de trupe (Arliden).

– Sabemos quem está atrás das Portas de Pedra. É o maior moldador de todos. E ao que tudo indica ele é ancestral de Kvothe.

– O nome da Lua está em poder dos Lackless, mas até o momento é impossível abrir a caixa onde ele está preso.

Kvothe está muito mais ligado às Portas de Pedra, do que eu pensava no início. Disso não tenho dúvidas.

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Ou seja, só coisa legal!

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Próximo post

Deixo aqui algumas questões para discutirmos nos próximos posts…

Esse moldador, é um Chandriano ou um Amyr? Ou nenhum deles?

Quem o prendeu?

Por que há mais de uma porta?

O que há naquele baú de Kvothe?

Algumas dessas perguntas podem ser respondidas em algumas histórias contadas pelo livro.

E no proximo post trarei um pouco da história dos Amyr, do Chandriano, e discutiremos um pouco sobre as revelações da maldita Chtaeh.

Prometo ainda seguir os conselhos de Pat… e não demorar tanto para escrever.

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60 comentários sobre “O que esperar de "A Crônica do Matador do Rei"? – parte I

  1. Você é sensacional! Já venho acompanhado seu blog desde as primeiras teorias de Game of Thrones. Li os livros de Pat Rothfuss e estou aguardando o próximo! Parabéns!!! Adorei as teorias e elas fazem todo o sentido🙂

  2. Hahaha
    Não é porque eu sou seu irmão, mas você manda muito escrevendo !!!
    Parabens, está muito bem escrito e o gancho sobre o menino sem sorte e o Luckless foi sensacional!
    Conte sempre comigo para criticar e te dar ideias sobre os posts (diga-se de passagem que as minhas idéias são as melhores)!
    Flow cara!!! Abraço!
    E tenho umas ideias loucas para o proximo Post!

  3. Achei muito legal suas teorias e bem amarradas. Seguirei seu blog. Você também irá trazer teorias sobre o nome do livro? “A cronica do matador do rei”. Vlw =D

      1. kkkkkkkk meu chute Ambrose. Porque matou? sei não.kkkkkkkkkkk será que tem algo a ver com uma historinha lá de uma princesa contada senao me engano Ctaeh? Droga vou ler denovo kkkkkkkkkkkkk

        1. Com certeza esse é o ponto…O rei só pode ser o Ambrose e a princesa morta Denna… Acredito que no Final o desespero sentido por Kvothe quase o coloca em situação de igualdade com LANRE ao perder Lira…E Kvothe encontra poder onde melhor seria deixar

        2. Acredito que haverá uma repetição de história da Guerra de Fastingsway contada pelo Cthaeh em que uma princesa ( DENNA, origem obscura) é forçada a se casar com um principe vizinho ( AMBROSE, após eliminar os sucessores) e em uma tentativa de fuga com KVOTHE acaba sendo morta por ele…

          Acho ainda que como LANRE, Kvothe busca poder para rescucitá-la onde melhor seria deixar sossegado, virando assim um paradoxo seus sentimentos em relação à ele…

  4. Muito bom drunkwookie! Finalmente alguém pra discutir isso, realmente é um belo mistério, quem é esse moldador? Eu tenho uma especulação, pare pra pensar sobre a história de Lanre contada por skarpi, tenho ctz que tu sabes bem pelo fato de que vai fazer uma teoria sobre eles.. rs Lanre e haliax são os mesmo, tem evidências que haliax é mencionado em outras histórias com diferentes nomes, um por ex: ENCANIS! Resumindo a história, até encanis ser parado por tehlu, ele destruiu 6 cidades.. Haliax parece ser esse antigo demônio tb. E também é possivel que Jax o ladrão da lua e o causador da guerra da criação sejam o mesmo. Evidência disso está no fato de que tanto Lanre e Jax são mencionados como tendo falado com o Cthaeh antes de embarcar em suas “más ações” bem como a representação de Haliax em um pedaço de cerâmica com três fases da lua acima dele. Além disso, Jax é considerado por muitos como um outro nome para o personagem IAX, o que torna-se a segunda metade do Haliax.

    1. Na historia de skarpi fala quevalem de delitos haviam outros grandes nomeadores: Lira,Aleph e Iax que descarta completamente a ideia de Haliax e Iax serem a mesma pessoa. Cap lanre transformado livro um

  5. Olá Drunk, mais um post sensacional, parabéns adorei os detalhes que vc consegue visualizar, tenho minhas anotações aqui também, e só reparei no nome do Cronista (Devan Lochees) depois que li sua teoria, será que o nome “Lochees” tem alguma ligação antiga com o nome “Lackless” pesquisei um pouco mas não encontrei nada, é no mínimo estranho. Quanto ao moldador, acho muito provável que este seja ninguém menos que Haliax, há muitos indícios no livro que fala sobre sua maldade e ganância, vamos esperar pra ver! Abraço

  6. Vale lembrar que a Deusa Romana da Lua é Diana, que salvo engano que é um dos nomes usados pela nossa querida Denna que é tão indomável e mutável quanto a própria Lua.
    Metade da Lua está na caixa, a outra metade pra mim é a própria Denna.

  7. Patrick Rothfuss me conquistou da mesma maneira que o George Martin. Ambos sabem contar uma estória dando pequenas pistas bem abertas a interpretação ao leitor mais acurado. A tradução para o português fez algumas dessas “dicas” se tornarem mais difíceis por que algumas estão dentro da sonoridade das palavras, como a identidade do Mecenas da Denna, ou sobre a identidade da mãe do Kvothe, isso fica bem mais claro no original por esse detalhe (a música é um elemento muito forte na trama). Creio que a quantidade de mistérios em aberto é de deixar qualquer um maluco. Os que me intrigam mais são: 1 – O que há dentro do Baú Tritrancado? Sabemos que de alguma maneira Kvothe deixou sua “essência”, abandonou seu antigo ser depois de cometer um ato que culminou na Guerra, mas como ele faria isso. A magia nesse mundo é muito misteriosa ainda.
    2 – Quem realmente é Skarpi? Achei ele muito intrigante, e o fato de ele saber a real história de Lanre e não temer o clero que governa com mão de ferro são características que me deixaram extremamente perturbado quanto a ele. Há diversas outras questões já dispostas no belo texto, e o que nos resta é discutir e roer as unhas na espera.

  8. Muito boa a teoria, acompanho o blog desde a primeira teoria de got e li o nome do vento e o temor do sábio justamente pq vc indicou, e não tenho embasamento pra minha teoria(que eh mais um achismo na vdd) mas várias vezes no livro eh citado que a familia do Ambrose eh muito rica e poderosa, e em vários momentos a morte de alguns outros nobres eh citada e eh comentado que o familia de Ambrose vai ficando mais próxima do trono, suspeito eu que eh essa a razão do livro se chamar a crônica do matador do rei, kvothe deve ter se visto forcado a matar o rei dazno e eh por isso que fugiu e vive escondido( como eu disse eh mais um achismo da minha parte)

    1. Em relação ao baú tritrancado de Kvothe acredito que assim como o nome da Lua esteja trancado no Bau dos Lockless, o nome do próprio Kvothe esteja trancado em seu baú e seja a explicação da perda de sua música e magia ( traços de sua personalidade)… Quem teria trancado o seu nome? talvez o próprio IAX ao ser libertado e confrontado por Kvothe

  9. Caceta nunca imaginaria que a mãe do Kvothe era a irmã de Meluan! Ele ter sangue de nobre é uma revirada e tanto na história, sensacional!
    Mandou bem, como sempre!😉

    Agora quanto aos comentários achando que o Moldador é o Haliax eu discordo, pois acredito que Kvothe não tem poder para derrotar sozinho o Chandriano e seu bando, então acredito que o Moldador fará a diferença nesse sentido, de ou ajudar Kvothe ou dar poderes a ele…

    Aguardarei ansiosa pelos próximos!!
    =D

  10. A resposta para o problema do kvothe é a seguinte Jhonathan Vieira! A importância dos nomes. E se uma pessoa ao mudar ou esquecer o nome perder também as habilidades? É o estado em que o Kvothe se encontra no presente, e por isso ele não é capaz de usar simpatia enquanto está como estalajeiro.É também o motivo pelo qual ele permanece em Tarbean por três anos. Se esta parte for lida cuidadosamente dá para entender que ele recupera seu talento no momento que Skarpi fala seu nome.E quando o Kvothe fala com Elodin sobre Denna ele fala sobre mudar nomes e o Elodin fica transtornado com a possibilidade.

  11. Sensacional adoro as teorias pq são realmente embasadas em algo já deixado nos livros, misturadas com a famosa intuição que vem sem explicação prévia. Eu li os dois livros umas duas vezes logo após seu post do vale a pena ler, e como estava de ferias entediado. Corri para ler, confiei no teu julgamento e adorei o livro. Automaticamente criei uma dezena de possibilidades do que pode ou não acontecer. Foi quase que inevitavel cuspir teorias para todo o lado tendo em vista que nao podia deixar detalhes passarem como foi com nas Cronicas de gelo e fogo. eu lia já com um alvo mirado nas palavras. A culpa foi sua kkkkkkkkkkkk. A Cronica do Matador do Rei é um grande exemplo de construção de personagem, pois tem inteligencia, perspicácia, um Hobby sensacional para desanuviar a cabeça do personagem e até a nossa pela descrição quase que palpavel que é a musica. Enfim teve umas coisas chatas na obra, pelo menos no segundo livro que foi aquele tempo quase que interminavel lá com a Feluriana. Chato, porque era o ponto de vista de Kvothe e aquela situação de esperar, sem nenhuma companhia decente porque Feluriana era uma chata nao que eu reclame do sexo, mas era basicamente isso que o atraia nela era. Nao agradava nem o personagem nem eu. E fato de ele explorar por nao ter nada o que fazer e entrar em encrenca. Droga até eu iria me dar mal, eu faria isso. Teve horas que eu não sabia se era eu ou Kvothe que tava lá de tao imergido na cabeça do personagem que eu tava. Livro massa, teorias bem parecidas com a minha. Ou eu to entendendo tudo ou nós nao entendemos nada kkkkkkkkkkkkk Aguardo a proxima.

  12. Talvez por ter esse ancestral e o nome da Lua sejam o necessário para o Kvothe enfrentar o Chandriano…
    Fico pensando se o Chandriano é necessário e o Kvothe destrói eles gerando a guerra que está acontecendo.

    1. Meu palpite é que seja alguém muito poderoso, sádico, e influente na corte. Acho que é o pai de Ambrose. pq Ambrose é meio sádico e acho que é de familia. E se nao me engano esse mecenas apareceu depois do encontro dela com Ambrose e ela nao falou pq sabe q Kvothe odeia ele. É um chute só. sem base alguma.

    2. Eu acho que é o Bredon ( quando kvoth estava com o maer ) pois o Cthaeh disse que ele batia nela com uma bengala e o bredon usa uma e a outra pista o cthaeh fala que foi a apenas dois dias no tempo que ela estava em vintas

  13. Ótimo texto!
    Penso que talvez a caixa dos Lackless não seja a mesma de Jax, pois a dela é dita como metálica, mas acho mais provável eu estar errado.
    E outra coisa, no treinamento de Kvothe em Ademre, falam que a algo sombrio nele, isso me faz pensar que como ele (talves) seja herdeiro de Jax, jax pode ser Haliax, um ser sombrio, ou esja Kvothe que se vingar de um ancestral.

  14. Oi Leandro!

    Faz tempo que eu não passo por aqui para comentar, mas é que semana passada quando estava lendo meu note travou e fiquei sem uns dias, depois eu precisei escrever troventos boletins para a escola e não deu tempo de voltar a ler até agora.

    Muito boa teoria, como sempre. Bem embasada e com bons argumentos. Só que eu preciso reler os livros para poder prestar atenção (e eu li em inglês, vou prestar mais atenção na sonoridade quando reler) e também para poder elaborar alguma coisa. A ideia de que Kvothe tem sangue nobre é muito boa, e a verdadeira identidade dele também, mas eu acho que não é lá muita surpresa isso (não que isso seja ruim. Ou talvez por causa de um outro bastardo que sabe de nada que eu amo de coração – hehe! – eu já imaginava algo assim), e acho que nessa você acertou em cheio.

  15. Tehlu misericordioso… finalmente teorias sobre “As crônicas do Matador do Rei” (não que eu não ame ASOIAF) O post está incrível, muito bem escrito, suas teorias batem em cheio com o que eu pensava! estou ansiosa pelos próximos posts porque não tenho nem ideia do que pensar sobre os Amyr e o Chandriano! sobre o tal rei do título da saga acho que tem uma passagem do livro onde chamam a espada do Kvothe de matadora de poetas, não sei se dá pra chamar o Ambrose de poeta, mas a Vashet sempre fala de um rei poeta com quem ela trabalhou por muito tempo… talvez seja esse o tal rei.

  16. Tem outra parte que ajuda nessa teoria que também está em inglês (vi isso na página da Meluan na Kingkiller Wiki): a música que o pai do Kvothe escreveu pra mãe dele. A música termina com os seguintes versos:

    It’s worth my life
    To make my wife
    Not tally a lot less…

    O último verso tem uma pronúncia que lembra o nome Natalia Lackless. Além disso, depois que Arliden compôs essa canção, Laurian mandou ele dormir debaixo da carroça (o motivo pode ter sido a revelação da identidade dela).

    1. Faaala drunk!!
      Show de bola o seu Blog, as teorias sao maneirissimas, ainda gera duvidas o lance da caixa da Meluan que é do tamanho de um livro, e na época do jax a caixa cabia na palma da mão, mas nao sei… e outra coisa : sao 3 dias até o atual presen te na pousada Marco do Percurso, será que a trama nao se desenrola em pelo menos mais um livro?! O que vcs acham? Abraço a todos

  17. Parabéns pelo post, Rothfuss é um cara sensacional, e os seus ganchos e teorias estão muito bem embasadas!

    Uma idéia para futuros posts é abordar sobre os anéis que Kvothe passará a ter principalmente os da mão direita =]

  18. Oi? Entao, deixa eu te contar minha historia. Começa assim, eu estava vendo o seu blog, que encontrei por acaso ano passado, eu lia/leio suas teorias das Cronicas de Gelo e Fogo (nem o li o livro, ainda). Eu vi o seu post dessa teoria, alias, nao li a principio. Comprei o livro numa sexta, dia 05/09 e comecei a ler. Acabei o primeiro em menos de 5 dias, e o segundo em menos de 9 dias (fui desafiado). Esses dois livros, o nome do vento e o temor do sabio, foram os primeiros livros que eu li, meio que fui tirado a virgindade com eles (pra ler, é claro hahaha). Agora, estou na espreita, só na espera do terceiro. Livros incriveis, cara, muito foda, se me permite o linguajar. Agora vou ler a sua teoria, sim? (Ahhh, você meio que me deu o incentivo a leitura, agradecido, moço.)

  19. Parabéns Drunk, ótima escolha para preencher o tempo esperando mais coisas do Martin.

    As tuas teorias são sempre bem fundamentadas, mas desta vez notei alguns pontos contraditório e outros um pouco divergentes, o que é ótimo para o debate, vamos a eles:

    1º – A caixa de Jax – se essa caixa é a mesma da família Lackless, por que aumentou de tamanho, a de Jax é pequena o suficiente para ser cerrada no punho, a dos Lackless é do tamanho de um livro grosso. Sendo assim, posso dizer que a mesma caixa seria a que Kvothe tem em seu quarto, do tamanho de um baú. Esses objetos seriam todos o mesmo?

    2º Será Jax o ladrão? – o texto diz “um garoto chamado Jax, que se apaixonou pela lua”, isso não quer dizer que ele a roubou. A mesma passagem cita características de Jax e faz algumas especulações, uma delas diz que ele poderia ter “uma gota de sangue encantado”, Feluriana explica a Kvothe que o motiva da ruptura (ou guerra) foi o fato do primeiro e mais poderoso “Moldador” ter roubado a lua, e isso foi antes dos encantados (essa parte ela deixa bem clara). Sendo assim, como poderia Jax ser o primeiro moldador e ao mesmo tempo ter sangue encanto?

    3º Portas de Pedra – não tenho uma ideia formada sobre isso, mas me chamou a atenção que a descrição da pedra das portas é semelhante as pedras chamadas de “Monólitos Cinzentos” ou “Marcos do Percurso”, ambas passam a ideia de serem feitas do mesmo material e do mesmo modo.

    Por hora era isso, espero que não demore muito para novas teorias sobre essa excelente obra.

    Valeu Drunk por me fazer ter vontade de reler o livro e observar esses detalhes.

  20. Jax luckless, pode ser o mesmo indivíduo citado por Selitos, na lenda de Myr Tariniel contada por Skarpy. Apesar de na hora Selitos chama-lo de Iax. Tal divergência pode ser derivada da passagem oral da lenda. Ligando a hipotética ancestralidade de Kvothe com a época/local de origem do chandriano e dando a ele mais uma razão para abrir os portões de pedra.

  21. Bom saber que você escreve teorias sobre o Kvothe também. Já li todas as suas teorias de Game of Thrones. Mas não vou ler esse post agora, por que ainda não terminei de ler o temor do sábio (65%) e não gosto de spoilers… rsrs. Logo que terminar, eu vou ler.
    Parabéns pelo blog, é muito bom.

  22. Fala Drunk, segui a sua dica e li os livros. Gostei demais. Agora é acompanhar as suas teorias.
    Em relação as portas, eu tinha pensando que a porta do Arquivo e a caixa dos Lackless tinham alguma relação devido as runas.
    Mas fiquei pensando quem poderia ser a sociedade dos Amyr. Vai rolar alguma teoria sobre eles? Acho que de algum modo a Universidade está conectado a eles.
    Assim como o patrono de Denna, acho que é um deles. Ele a usa para pesquisar sobre os Chandrianos pela mudança de nome e não ter lugar fixo. Pois fica difícil para os Chandrianos rastrear os pessoas.

    Abraços e obrigado pela dica e pela nova teoria.

    Thiago

    O que sai primeiro Martin ou Patrick?

  23. Show de bola o blog, e as teorias sao muito maneiras!! Ainda acho que a comparação da caixa do Jax nao bate com a da meluan, em relação ao tamanho… e acredito que o final do terceiro livro acabe no atual presente, onde Kvothe é o dono da pousada Marco do Percurso… sera que nao rola pelo menos mais um livro… Mais uma vez meus parabéns pelo site. Abraço

  24. Voce tem que lembrar tambem que em varias partes da historia a Denna ,Feila e os outro amigo de kvothe falam que os olhos dele mudam de verde claro para escuro dependendo do humor dele

  25. POR FAVOR LEIA!!!

    Sugiro que você tente fazer uma associação das portas de pedra, com a caixa que Kvothe tem no quarto. Eu acho que ele guardou lá a caixa dos Lackless.

    Talvez entre os itens também esteja a Shaed, talvez esteja guardando sem querer já que a caixa foi, feita para ser dificil de abrir por dentro ou por fora.

  26. Essa teoria faz sentido, e tem outra coisa tambem se eu não me engano no segundo livro que o Kvothe fala pro Bast: “eu recomecei a guerra dos encantados” (algo assim) significado, ele pode ter aberto os portões de pedra e libertado Jax… sei lah…

  27. Patrick é um autor muito bom. Revela coisas com uma sutileza. Fantástico.

    Acho que passou despercebido o seguinte trecho presente em O Temor do Sábio, pág 661.

    “…-Não são muitos os que levariam a sério sua busca dos Amyr- proseguiu o Cthaeh em seu tom calmo.- Mas o maer é de fato um homem extraordinário. Já chegou bem perto deles, embora não se dê conta. Fique junto do maer e ele o conduzirá à porta deles.

    Deu um risiho seco e fino.

    – Pelo sangue, feiteiras e osso! Quisera eu que vocês, crituras, tivessem sagacidade para me apreciar. Não importa do que mais se equeça, lembre-e do que cabo de lhe dizer. Você acabará compreendendo a piada. Eu lhe garanto. Rirá quando chegar a hora…”

    O que podemos extrair daí?

    A piada que ele se refere é o trocadilho entre a expressão “à porta deles”, chegar próximo, e o fator de realmenter ter que chegar àlguma porta para encontrar os Army.

    Portanto, pelo menos uma porta(de pedra?) leva aos Army.

    Talvez havendo várias portas também haja vários entidades diferentes atrás delas. O maior moldador, assim como os Army. Foram presos juntos?

  28. cara, parabens pela teoria.Pegando essas pontas soltas realmente faz sentido e faz bem o estilo do Pat ser misterioso assim e querer de seus fãs mais inteligentes e atentos ligar esses pontos.No temor do sabio em um interludio o Kvothe está junto com o Bast e ele faz aquele bau que tambem nao tem fechaduras nem dobradiças talvez ele forjando uma caixa dessas descubra como abrir a porta do arquivo ou dos lackless com o nome da lua ( se realmente for ) acho que quando ou se o Kvothe conseguir abri-la vai ser incrivel! Acredito que o final o Kvothe vai ter que se juntar com os Amyr para derrotar o Chandriano mas isso ja é outro papo!

  29. Seguindo as suas especulações, Jax quem lacrou a caixa com nome da Lua, e ele era um moldador, conhecedor de nomes também. Talvez não seja necessário sangue Lackless para isso, senão ela já teria sido aberta por alguém. Talvez seja preciso o nome da caixa.
    No final de o Temor do Sábio Kvothe tenta abrir a caixa e depois de abrir as fechaduras ele grita para ela abrir:
    “Depois de repor as chaves em sua caixa, tornou a posicionar as mãos nas
    laterais do baú, na mesma posição de antes.
    – Abra – disse entre dentes. – Abra, desgraçado. Edro”.
    Aliás, tem a referência de Taborlin, que também abre uma caixa fazendo quase a mesma coisa.
    “Assim, Taborlin se aproximou do
    baú, mas viu que estava trancado. Então Scyphus e alguns dos guardas riram.
    Isso aborreceu Taborlin e, antes que algum deles pudesse fazer alguma
    coisa, ele bateu com a mão no tampo do baú e gritou “Edro!”. O baú se escancarou
    e ele pegou sua capa de cor indefinida e a enrolou no corpo.” – Temor do Sábio.

    Porém Kvothe não falou o verdadeira nome dela do mesmo jeito que chama o nome do vento. O que pode estar relacionado com o fato dele não ter conseguido realizar aquela simpatia quando o “troca-pele” invadiu a sua hospedaria – O nome do vento, página que eu não lembro.

    Mas isso são apenas especulações… Como a minha especulação de que a capa e o alaúde de Kvothe estão no baú que ele tentou abrir. O que poderia ser mais tentador para ele do que aquilo? O que estragaria seu disfarce?

    Até mais,
    Gabriela.
    Ah, parabéns pelas teorias. Eu só senti falta de algo mais banal, tipo o mecenas de Denna. Eu desconfio que ele seja Breddon (sei lá como se escreve, não estou com o livro a mão). Duvido que Patrick tenha criado um personagem e colocado uma certa profundidade nele se ele não fosse importante.

  30. Hey,mt legal essa teoria,e O Kvothe ser um Lackless e interresantes,pois talvez esses tenham sangue param ser poderosos nomeadores,e isso fez com que Haliax nao o matasse por medo,como aquela maldita arvore deixa no ar.

    Tbm tem aquela questao da familia que acho o vaso com a imagem do Chandriano,provavelmente ali sao os resto da cidade de Myr Tariniel,a ultima que Lanre destruiu e qnd foi almaldioçado a se tornar o Senhor da Escuridao e o msm lugar onde nascem os Amyr.

    Claro,tudo não passa de especulação,mas e bem legal debater sobre ate pq esses livros sao incrivelmente bons.

    Um abraço e parabens pelo seu texto.

  31. 1-O mecenas da Denna ou eh o Gris ou o Dreddon.
    2-Quando penso no bau no Kvothe sempre imagino que lha dentro estah os seus, o alaude e a capa.
    3-Imagino que o Rei seja o ambrose ou o pai dele.
    4-Em um dos interlúdio o Kvothe fala que para salvar sua amada, teve que lutar com um demônio e depois com um anjo. Acho que o demônio eh o Gris e o anjo eh a própria Denna. E por isso que ele esta tao perturbado.
    5-O Bast enviou varias mensagens em garrafas com a localização do Kvothe. O cronista foi apenas o primeiro a chegar na hospedaria. Imagina que em breve chegarah na hospedaria alguns aliados e inimigos do Kvothe.
    6-Acho que o reitor que foi substituído pelo Hemme. Esta sofrendo malfeitoria pelo Ambrose. E que o o que o reitor substituto Helio irah tentar ou espulsar o Kvothe da universidade. Espero que nao consiga porque que o Kvothe seja um arquivista pleno.

    1. o anjo é IAX e o demônio é Gris… Briga com o IAX visto deena (Diana deusa da Lua) ser amada por ambos e com Gris por todos os motivos além do fato de ser o mecenas

  32. A única coisa que me deixou na dúvida (achei suas teorias muito coerentes) foi a sua teoria em relação que Netalia ser a mãe de Kvothe. Lembro-me que o nome da mãe de Kvothe era Laurian… Claro, ela pode ter mudado de nome. Foi só uma indagação que me fiz.
    Havia notado que as portas de pedra provavelmente seriam as portas da Universidade, mas suas teorias me levaram muito mais além.
    Excelente post! Abriu meus olhos para muito coisa!

  33. Muito boas suas teorias. Assim como GOT, após ter lido os livros, conheci seu blog….. Conclusão: reli tudo de novo. Fantástico.
    Pelo seu blog também fui apresentado ao Patrick Rothfuss. Acabei de ler e corri para suas teorias.
    Parabéns pelo seu trabalho. Espero continuar acompanhando.
    Eduardo.

  34. Cara, parabéns pelo post!
    Muito bem estruturado, as teorias tem muito sentido, terminei de ler O Temor do Sábio hoje ,e brother, depois de ler esse post fiquei com vontade de ler tudo de novo, kkkkk,

  35. Uma coisa que me deixou intrigada é que quando o Kvothe vai para o exame para definir as taxas para o seu primeiro semestre como Re’lar, o Elodin faz uma pergunta idiota sobre cartas e os outros mestres não aprovam, então, ele pergunta se querem uma pergunta que um nomeador saberia responder e pergunta para onde vai a lua quando não está no céu.
    Será que o Elodin sabe alguma coisa sobre o nome da lua?

Obrigado!

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