“A Europa que conheci” parte III – Wootton Wawen – Inglaterra

Wootton Wawen, um pedaço do Condado

Steve and Debbie, a click in Fudge to read in english

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Talvez o lugar que tive mais contato com a natureza, em toda minha viagem. Se o Condado existisse na Inglaterra, certamente seria em Wootton Wawen, ou pelo menos ali ao lado.

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Tolkien passou sua infância em Birmingham e suas redondezas. Tanto é verdade que sua inspiração para criar Bolsão e o Condado veio das paisagens da região de Moseley, bem próxima de Wootton Wawen.

Há um post recente em que relato minha busca às Duas Torres, que ajudaram Tolkien a criar suas torres em sua obra-prima. Quem quiser dar uma olhada é só clicar na imagem abaixo.

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O nome Wootton Wawen (ˈwʊtən ˈwoʊ.ən) é curioso. Significava há séculos atrás, farm near a wood, belonging to Waga.

Algo como: a fazenda perto da floresta, que pertence à Waga.

Waga ou também Wagen é um nome próprio escandinavo. Talvez o lugar tenha pertencido a algum invasor dinamarquês, um de tantos que chegaram à Inglaterra no final do século VIII.

Dica de leitura

Se você quer saber mais sobre a invasão dinamarquesa na Inglaterra, mas não quer ler livros de História, aconselho a leitura da série As Crônicas Saxônicas de Bernard Cornwell.

Porquê Wootton Wawen?

Só por esse nome dá para perceber que o lugar não é, nem de longe, um ponto turístico mencionado por agências, comerciais, ou amigos que já viajaram para a Europa.

Na verdade, eu só soube da existência desse distrito rural por causa da minha vontade de ver de perto falcões.

Quando eu tive a certeza de que minha viagem se concretizaria, eu pesquisei um modo de fazer tudo que sempre tive vontade de fazer, caso fosse para o Reino Unido.

Dentre as dezenas de desejos, um deles era a oportunidade de ver um falcão pousando no meu braço. E foi aí que encontrei Wootton Wawen e a S&D Falconry.

Como um bom brasileiro, eu e meu irmão conseguimos comprar um groupon inglês para a visitação. Economizamos muito com essa sacada.

O voucher dava direito a uma manhã inteira em uma fazenda onde ouviríamos os donos do lugar falar sobre a falcoaria, os hábitos das aves de rapina e  poderíamos chegar bem próximo de falcões, corujas, mochos, gaviões e águias.

Eu não imaginava o quão próximo chegaríamos… Ainda não.

Em busca das aves de rapina

 Depois de um café da manhã bem tranquilo, (sem linguiças, bacon e ovos) partimos para Birmingham New Street para pegarmos o trem, com destino ao pequeno distrito rural em Stratford upon Avon.

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Um dos unicos cafés da manhã saudável que comemos

Já tínhamos as passagens em mãos, pois compramos ainda no Brasil pelo site thetrainline.com. Na verdade os tickets precisam ser retirados em um caixa de autoatendimento.

Sobre tickets comprados na internet, aqui vai uma dica: levem sempre consigo o cartão que você comprou os tickets. Somente com ele você pode retirar as passagens. Não tenham medo, pois não vão cobrar novamente. É apenas para verificar os dados que você cadastrou no site.

Tinhamos também um e-mail que os donos da S&D FALCONARY responderam, indicando o melhor modo para chegar até a fazenda.

Fora isso, não sabíamos mais nada. A primeira surpresa foi no momento em que descobrimos que o trem não saia da estação de Birmingham New Street, conforme dizia na passagem. E para completar, percebi que muitos funcionários ali, não conheciam a estação Wootton Wawen.

“Como as pessoas que trabalham na estação ferroviária, não conhecem uma estação?” pensei.

Só depois fui descobrir o porquê.

Depois de perguntar para várias pessoas, uma funcionária informou que o nosso trem saia de outra estação a Birmingham Moor Street… E foi para lá que rumamos com uma certa urgência.

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Depois de muitas tentativas em entender o inglês britânico, entendemos alguma coisa, e nos posicionamos na plataforma correta.

O trem tinha como destino final  Stratford-Upon-Avon. A cidade em que nasceu William Shakespeare. Coincidências interessantes, que não pararam de me surpreender até o final da viagem.

No trem

Essa não era a nossa primeira viagem de trem, e nem seria a última.

Posso dizer que os trens do Reino Unido são bem organizados. O problema é entender como eles realmente funcionam.

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Dentro do trem, entendemos que em algumas estações o trem não parava automaticamente e que deveríamos solicitar a parada. Mas solicitar para quem?

Não sabíamos. Não havia nenhum funcionário ali para dizer: Quero descer em Wootton Wawen.

Mas como haveria várias estações pela frente, decidimos curtir a vista do caminho…

Afinal, estávamos indo para o interior.

É engraçado… aqui eu me desesperaria por não saber o caminho, por não encontrar alguém para informar que eu iria descer… mas lá…estávamos tranquilos…

Esse foi o percurso de trem que eu mais gostei de todos que fizemos.

Em nossos 23 na Europa, tivemos que viajar muito de trem. Até então, já tínhamos ido e voltado para Gales em uma viagem de 3h30.

Depois iríamos para Londres e tomaríamos o Eurostar sentido Paris; Eurostar é aquele trem que passa por debaixo do canal da Mancha para chegar até o continente Europeu.

Depois iríamos de Praga à Dresden e de Dresden à Berlim com trens da empresa DB BAHN e finalmente voltaríamos para Londres, saindo de Bruxelas, com o Eurostar novamente.

Todos tiveram momentos legais, paisagens bonitas (exceto o Eurostar), mas a viagem rumo ao interior foi muito melhor.

As estações pelas quais passamos foram:

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Birmingham Moor Sttreet, Bordesley, Small Heath, Tyseley, Spring Road, Hall Green (com suas flores e arbustos verdejantes), Yardley  Wood, Shirley, Whitlocks End, Wythall, Earlswood, The Lakes (Warcks), Wood End (dificil explicar mas eu me senti extremamente em paz comigo mesmo quando o trem parou nessa estação), Danzey, Henley-In-Arden e finalmente Wootton Wawen.

 Muitas dessas estações eram minúsculas, e apenas o primeiro ou o ultimo vagão parava para que as pessoas pudessem descer. Foi aí que entendi o porque dos funcionários de Birmingham não estarem familiarizados com a estação que eu tinha como destino.

Pelas fotos você perceberão como o lugar era tranquilo. E a cada estação entravamos ainda mais no coração interiorano de Birmingham. 

Um fiscal de bilhetes apareceu em nosso vagão e avisamos onde teríamos que descer.

Passados alguns minutos, chegamos à Wootton Wawen.

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O e-mail que recebemos dos donos da Falcoaria de nada ajudou. Eu sou péssimo de caminho, e meu inglês não ajuda. Meu irmão parecia que estava vendo o mapa de ponta-cabeça.

Havia uma bifurcação que nos levava a dois caminhos. Seguimos o conselho do sábio Gandalf.

“Quando tiver dúvidas siga sempre o seu nariz, Meriadoc!” O Senhor dos Anéis – Nas Minas de Moria

Decidimos pelo caminho convidativo das casas que recendiam o aroma de café da manhã inglês.

Nos perdemos, é claro.

Seguimos pela rua de casas pequenas, subimos a rua e depois descemos. Pequenas elevações apareciam e desapareciam, até que encontramos uma rotatória e uma mercearia.

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O dono do lugar vendia queijo, pão e embutidos. Nos seguramos para não comprar nada, porque estávamos atrasados.

O homem nos ajudou. Informou o caminho mas perguntou:

Vocês tem carro?

Com a nossa negativa, ele disparou:

E pernas fortes? E riu sozinho.

Eu ri porque não entendi o que ele falou. Meu irmão riu, sei lá porquê.

Era uma boa caminhada até a fazenda. Teria sido relativamente rápida se não tivéssemos desviado tanto do caminho.

Passamos por um Santuário Saxão e logo estávamos em uma rua de carros sem acostamento e para os dois lados que olhávamos havia campos sem fim de trigo ou centeio.

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essa é a única foto emprestada da internet, pois as que eu tinha do Saxon Sanctuary estavam péssimas

Foi um momento sem igual. É verdade que faltou apenas um irmão naquele momento, mas foi um momento sem igual. Dois mochileiros sem preocupações, andando lentamente pela pequena vila.

Andamos pelos campos de trigo, parando em alguns momentos, sentando na grama, tirando foto, cantando The Road Goes Ever On…

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The Road goes ever on and on

Down from the door where it began.

Now far ahead the Road has gone,

And I must follow, if I can,

Fazendo piadas com nosso próprio inglês e nossa pronúncia…

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Poucos carros passaram por nós, e era possível ver a cara de espanto dos ingleses em ver dois doidos andando por ali.

Estávamos despreocupados. Como se não houvesse nenhum problema no mundo capaz de nos chatear. E na verdade não havia.

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Nossos presentes naquele dia foram simples, mas inestimável. o céu claro e nublado, a visão de campos de trigos sem fim, e uma bola de golfe caída na grama. Sim, Golfe… aquele jogo inventado pelo Urratouro Tuk.

Ele atacou os pelotões dos orcs de Monte Gram, na Batalha dos Campos Verdes, e arrancou a cabeça de seu rei Golfimbul com um taco de madeira. A cabeça voou pelos ares cerca de cem jardas e caiu numa toca de coelho, e dessa maneira a batalha foi vencida e ao mesmo tempo foi inventado o jogo de golfe. o Hobbit – capítulo I

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My precious

Tudo isso criou um momento único.

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Depois voltamos pela mesma estrada, mas dessa vez de carona, com um casa simpático. Deviam ter uns 60 anos. O homem estava bem contente para puxar assunto. Ele perguntava se conhecia eu Shakespeare e eu falava de Tolkien… hahahahahaha ele não gostou.

Ficaram atônitos quando dissemos nosso roteiro para os próximos dias. Depois percebi que todas as vezes que citavamos Praga as pessoas nos olhavam com um olhar diferente. O brasil Europeu…. é como eles veem o lugar.

Enfim… S&D Falconry

No e-mail havia uma linha que dizia para prestar atenção no greenbarn. E achamos.

Estávamos na fazenda. Estávamos na S&D Falconry. 

O local é mantido por Steve e Debbie e sua filha.

Deem uma olhada, eles proporcionam diversos tipos de experiência. As mais interessantes Hawk Experience e Walking with Owls.

Eles tem várias aves lindas e trabalham com controle de praga em fazendas, em exibições, e até em casamentos.Nada de bisneto remelento da tia-avó da sua mãe levando suas alianças. Uma coruja linda que as levam.

Chegamos atrasados e o nosso anfitrião pediu para que nos aproximássemos para a apresentação. Estávamos em 12 visitantes mais ou menos.

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Stevie and Alfie

A exibição das aves foi maravilhosa.

Enquanto elas voavam e se exibiam nos poleiros e indo e vindo de um lado para o outro, Steve nos explicava tudo sobre o comportamento delas, seus hábitos, e suas características tão peculiares.

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Debbie nos explicava como usar a luva, o que fazer quando a ave pousasse em nossas mãos.

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Era necessário usar uma luva grossa para não machucar o braço. Eu entendi quando vi o pso das aves e o tamanho das garras delas.

SONY DSC Lá conhecemos Alfie a Coruja grande, Fudge a Corujinha branca e Kurtis, o falcão.

Depois da apresentação foi o momento de podermos experimentar a sensação de segurá-las. É simplesmente indescritível. O toque leve das garras afiadissimas na luva, e a leveza da coruja….

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Acho que as fotos conseguem falar melhor do que eu nesse momento…

Galeria de Fotos

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Fudge

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Camisa da patrulha da Noite, pouco importando o calor

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Kurtis

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Steve and Alfie
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Lembrei da Edwiges

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SONY DSCPena que a Gisele não pode estar conosco… O dever a chamou. Enquanto nos divertíamos, ela estava defendendo sua tese de Doutorado para doutores do mundo todo!!! Mas valeu a pena Gi! Você foi a melhor palestrante de Birmingham em 2013!

Quero agradecer Steve e Debbie e a S&D Falconry pela maravilhosa experiência que proporcionaram para nós!

Thanks Steve and Debbie for the opportunity, for the british hospitality and the wonderful moments you gave us.

O próximo post sobre viagens será sobre Paris! A Cidade em que viveu a figura mais importante da História (para mim) Napoleão Bonaparte…

3 comentários sobre ““A Europa que conheci” parte III – Wootton Wawen – Inglaterra

  1. Olá drunkwookie, td bem?
    Sou um leitor do seu blog há algum tempo. Gostaria de entrar em contato com você para fazer uma proposta, mas não achei seu e-mail em lugar algum.
    Poderia entrar em contato comigo? Meu email: leo.corder@gmail.com
    Obrigado.
    Abraços,
    Léo

Obrigado!

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