THE HOBBIT: AN UNEXPECTED JOURNEY

O Hobbit: Uma Resenha Esperada

O Hobbit: Uma jornada Inesperada

O intuito do blog nunca foi fazer resenha sobre filmes, mas senti tanta vontade de fazer uma resenha sobre O Hobbit que percebi que para alguns filmes devo abrir exceção, pois há filmes que me fascinam de tal forma que eu preciso falar sobre o assunto.

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Uma trilogia cheia de possibilidades

Sinopse

Bilbo Bolseiro embarca em uma jornada épica para retomar ajudar Thorin a reaver o Reino de Erebor, terra dos anões que foi conquistada há muito tempo pelo dragão Smaug. Com o apoio do mago Gandalf e um grupo de 13 anões, liderados pelo lendário guerreiro Thorin Escudo-de-Carvalho, Bilbo terá grandes desafios contra os poderosos Goblins e Orcs, além do traiçoeiro Gollum. Neste caminho, ele ganhará a posse do “precioso” anel, que está ligado ao destino de toda a Terra-Média, de uma maneira que não poderia imaginar.

Diretor: Peter Jackson

Elenco: Cate Blanchett, Saoirse Ronan, Elijah Wood, Martin Freeman, Christopher Lee, Ian McKellen, Andy Serkis, Richard Armitage, Aidan Turner, James Nesbitt, Bret McKenzie, Luke Evans, Hugo Weaving, Evangeline Lilly, Orlando Bloom, Benedict Cumberbatch, Lee Pace, Iam Holm, Graham McTavish, Mikael Persbrandt, Barry Humphries, Ken Stott, Conan Stevens, Sylvester McCoy, Jed Brophy, Jeffrey Thomas, Stephen Hunter, Renee Cataldo, JohnCallen, Peter Hambleton, William Kircher, Adam Brown, Mark Hadlow, Michael Mizrahi, RobinKerr, RyanGage, Ray Henwood

Produção: Peter Jackson, Fran Walsh, Carolynne Cunningham

Roteiro: Peter Jackson, Philippa Boyens, Guillermo del Toro, Fran Walsh

Fotografia: Andrew Lesnie

Trilha Sonora: Howard Shore

Duração: 169 min.

Ano: 2012

Distribuidora: Warner Bros.

Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) / New Line Cinema / WingNut Films / 3Foot7

Classificação: 12 anos

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Eis que finalmente assisti O Hobbit e a primeira coisa que pensei foi: Preciso escrever sobre isso!

Ainda que eu seja um fã incondicional da obra de J. R. R. Tolkien, tentarei ser imparcial e falarei sobre os altos (que são muitos) e os baixos (?) do filme.

Como um bom adorador de livros, sempre que via uma adaptação de livro para o cinema, fatalmente pensava: o livro é melhor. 

E por que o livro é melhor? No livro o autor tem uma liberdade maior em estender as páginas de seu livro o quanto for necessário para desenvolver a historia no ritmo que achar apropriado.

Já em um filme o diretor fatalmente necessitará cortar e/ou inserir elementos para dar um ritmo cadenciado para o filme e, em 2 horas/ 2 ½ horas, contar sua história.

Talvez esse seja o maior empecilho de se criar uma adaptação extremamente fiel.

O Condado

Só que desse mal Peter Jackson não padeceu. Ele teve a liberdade de em 2 horas e 40 minutos cobrir 108 páginas do livro.

E foi exatamente neste ponto que a Warner acertou.

Fugindo das regras hollywoodianas impostas, eles (Jackson e a Warner) resolveram dividir o livro em 03 filmes.

Ou seja, decidiram que contaria uma história, da forma como ela deve ser contada, independente do formato e do tempo que necessitariam.

Quando soube disso, praguejei e xinguei. Seriam 295 páginas divididas em 3 filmes. Eu achei exagero. uma jogada para ganhar dinheiro.

Depois de um tempo, pensei melhor e percebi que a ideia deles não era fazer apenas O Hobbit, e sim trazer mais elementos sobre a Terra-Média. Apresentar uma espécie de prelúdio de O Senhor dos Anéis.

E quando vi o filme percebi que ali havia elementos de O Hobbit, do Apêndice de O Senhor dos Anéis e dos Contos Inacabados.

Os 03 filmes contará toda a história de O Hobbit, juntamente com histórias paralelas que levam ao ressurgimento de Sauron e do Um Anel.

Thorin Escudo de Carvalho e Comitiva
Vejo essa trilogia de O Hobbit como se fosse uma série no cinema

 Visualmente falando sobre O Hobbit

O filme é um primor visual. E olhem que ainda não estou falando do HFR (High Frame Rate).

Sobre o HFR falarei mais a frente.

Os efeitos especiais foram devidamente utilizados, sem grandes exageros.

As cenas externas e tomadas aéreas foram de uma profundidade e uma abrangência incrível.

Os closes feitos de forma acertada e a movimentação no 3D não deixou nada a desejar.

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O cuidado especial com o figurino aliado ao 3D de qualidade proporcionou um deleite visual aos fãs

Como eu disse, o 3D de O Hobbit é perfeito. 

Assim como em Avatar, a qualidade das cenas foram incríveis. Ouso dizer que este foi o melhor 3D que vi até o momento. As cenas de chuva, as cenas dentro das cavernas foram muito bem construídas.

Tudo isso graças ao respeito do estúdio em filmar em 3D, diferentemente daqueles filmes que são convertidos em 3D após a filmagem.

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A cena 3D mais envolvente que vi até hoje, foi o momento onde vemos Smaug acordando debaixo de seu tesouro

Eu estava preocupado com muitas cenas de CG e fundos verdes, mas logo no início do filme, quando vemos o Valle e Erebor o reino de Thrór o Rei-sob-a-Montanha, meus medos desvaneceram e absorvi toda a magnitude das imagens. 

Tudo muito grandioso, assim como o reino do Povo de Durin!

Um tom épico e cheio de vida foi dado a Erebor. Enquanto na Sociedade do Anel vemos uma Moria desolada, e os Salões de Khazad-Dum vazios, aqui vemos um reino vivo e cheio de glória.

Dá pra entender por que Thorin nunca esqueceu Erebor e quer levar seu povo de volta à Montanha Solitária.

Vendo as salões de Erebor você entende o porquê da ganância dos anões com seus tesouros!!!

Erebor

O Valle e ao fundo os portões de Erebor

A caracterização dos anões está fantásticas.

Thrór com sua coroa e sua barba toda ornamentada mostra que a Terra-Média está ali, nos pequenos detalhes.

Gosto do cuidado que eles tem com o figurino. Um respeito grande à obra de Tolkien como um todo.

Cada broche, coroa, elmo, capa, espada, martelo de guerra, colete de seda e armadura carregam a história de seu próprio povo e isso deu para ver ainda melhor com o 3D.

Desde as linhas harmônicas das coroas élficas aos traços fortes das armaduras dos anões.

Eu fiquei fascinado pela individualização dos anões.

Parabéns à Richard Taylor e Ann Maskrey, responsáveis pelo figurino do filme.

Enquanto no livro, os anões são diferenciados pela cor de seus gorros, no filme vemos um trabalho magistral onde cada anão é individualizado, trazendo uma indumentária diferente, armas diferentes e barbas diferentes.

 Ver Fili, Kili, Oin, Gloin, Dwalin, Balin, Bifur, Bofur, Bombur, Dori, Nori, Ori, e Thorin cantando na sala de estar de Bilbo foi uma das cenas mais impactantes para mim e consequentemente a que mais me remete ao livro.

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Perfeita caracterização dos anões

Ainda falando do visual do filme as tomadas externas, as imagens aéreas mostram todo o potencial natural da Nova Zelândia.

Ponto para Peter Jackson que revisitou determinadas locações.

Em todo momento a sensação que dá é: Estamos assistindo a uma continuação de Senhor dos Anéis.

Gosto muito do Guilhermo Del Toro e seus filmes são muito bons e o visual é positivamente impactante. 

Só que agradeço a Eru que ele tenha desistido.

 Pois sei que ele imprimiria sua personalidade no filme, e duvido que seria tão boa quanto a de Peter Jackson. Tanto é verdade, que Peter Jackson na Comic-Con citou que teve que retroceder no trabalho feito por Guilhermo, pois havia elementos que só Del Toro sabia trabalhar.

O filme recompensou a espera dos fãs. As incertezas, a desistência de Guilhermo Del Toro, o processo de Peter Jackson contra o estúdio a respeito da trilogia de o Senhor dos Anéis.

Tudo isso trouxe insegurança à todos aqueles que esperavam pelo filme.

Ao entrar no cinema, por o óculos 3D e ver 10 minutos do filme você percebe que tudo valeu a pena.

O filme não demorou para chegar às telonas e nem chegou cedo demais. Ele chegou precisamente quando deveria chegar.

Foram 170 minutos imersos na Terra-Média.

Assisti o filme e pensei: É a Terra-Média. Tudo está ali como sempre foi. O Topo dos Ventos, Valfenda, o Condado. 

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Valfenda

As maquiagens estavam impecáveis e graças a Iluvatar que nenhum dos anões apresentou alergia ao produto utilizado para maquiar, assim como John Rhys-Davies adquiriu ao interpretar Gimli. 

Assim todos os anões estavam maquiados perfeitamente.

Um ponto alto do filme são as músicas. Todas remetem a trilogia mas ao mesmo tempo são diferentes, renovadas e rebuscadas o que consequentemente nos transportam para a Terra-Média com maestria.

A parte de trilha sonora da franquia o Senhor dos Anéis e agora da franquia O Hobbit foi tratada com muito respeito. Tolkien gostaria de ver o trabalho, uma vez que ele mesmo parecia apaixonado por música, tanto que podemos ver em seus livros as várias músicas que os personagens cantam, e também cabe lembrar que a Terra-Média e o mundo como um todo foi criado a partir de uma música, cantada por Eru, conhecido como Iluvatar pelos elfos.

Voltando ao visual, a cena que mostrou todo o poderio dos efeitos especiais devidamente utilizados, foi no momento do flashback que nos mostra a Batalha de Azanulbizar, a Guerra dos Anões e Orcs, onde Thorin arranca o braço de Azog às portas de Moria.

Sobre o HFR eu editarei este post mais tarde, pois ainda não consegui assistir neste formato.

 Interpretações dos Atores

Martin Freeman, o Bilbo Bolseiro sem dúvida roubou a cena com sua interpretação cômica. O que é um hobbit se não um típico inglês? E Martin conseguiu passar isso para os espectadores.

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Seus trejeitos, caretas e ingenuidade foram fenomenais. Contribuiu em muito para sentirmos o medo de Bilbo rumo ao desconhecido.

Sir Ian Mckellen ainda que impecável em sua interpretação me pareceu um tanto contido e sutil em alguns momentos e engraçado em muitos outros. Acredito que Sir Ian quis dar espaço ao protagonista da história. Só que não adianta ele se conter… Sua atuação é tão marcante, que ele consegue atuar apenas com os olhos e as marcas de expressão. 

O roteiro deve ser mencionado pois, seguiu o livro tão à risca que há diversas frases fno filme idênticas ao livro.

Os anões também estavam bem nas interpretações e todos devidamente caracterizados e absortos no personagem.

Minha única crítica ao filme, e isso não se deve à interpretação e sim ao roteiro do filme. Houve pouca exploração da personalidade dos anões.

Ainda que no livro os anões são tratados como uma comitiva, e não há aprofundamento na personalidade de cada um, havia espaço no filme que possibilitaria que os anões fossem mais explorados individualmente, para que o público se identificasse com eles. Achei uma que houve uma certa overdose de Kili, por exemplo.

Peter Jackson tem todo o tempo do mundo para fazer isso.

Apenas Thorin, Bofur, Kili e Balin tiveram destaque. Espero e acredito que nos próximos filmes veremos mais sobre a personalidade e individualidade dos outros anões.

THE HOBBIT: AN UNEXPECTED JOURNEY
Espero ver atuações de Bombur, Ori, Dori, Nori e Gloin de uma forma mais aprofundada

Outro destaque na atuação é para Gollum. O Gollum de Andy Serkis dispensa elogios.

Ele conseguiu mais uma vez transformar o embate de personalidade entre Gollum/Smeagol em uma cena muito boa. E o jogo das adivinhas foi o ápice do filme em esplendida interpretação de Andy Serkis (Gollum) e Martin Freeman (Bilbo Bolseiro).

Os efeitos especiais do Gollum tiveram uma significativa mudança, tornando a atuação mais natural. 

O jogo de câmeras nesta tomada foi bárbara nos  mostrando as emoções de Bilbo e Gollum enquanto lutavam internamente para encontrar as respostas das charadas.

Nessa cena, reparem na atuação de Martin Freeman. como tudo soa tão natural e o modo como ele tenta convencer Gollum/Smeagol que ele quer jogar o jogo de advinhas. Gestos e entonação de voz que traz um realismo absurdo. Lembrando ainda, que ele está atuando em frente a um ator cheio de pontos metálicos no rosto e roupa de vinil azul.

Gollum
Não há “my precious” com uma sonoridade tão perfeita quanto de Andy Serkis

Outra interpretação que merece destaque foi a de Richard Armitage que interpreta Thorin Escudo-de-Carvalho.

Ele soube entender e interpretar a teimosia dos anões, uma das característica mais arraigada da raça.

No mais Hugo Weaving estava completamente a vontade como Elrond e Cate Blanchet estava menos etérea e mais real, o que me agradou muito.

 Fidelidade ao Livro de Tolkien

O filme que compreende as 108 primeiras páginas do livro é extremamente fiel. Algumas alterações foram necessárias, mas nada que suprima ou altere a obra. E a introdução de passagens dos Contos Incabados e do Apêndice de O Senhor dos Anéis que tratam sobre A Busca de Erebor e O Povo de Durin respectivamente, dá ao filme uma qualidade especial.

Não acho que houve uma jogada de marketing ao inserir elementos dos apêndices de o Senhor dos Anéis. E sabem por que?

Tolkien gostaria disso. Sim, gostaria.

Ele mesmo, em uma carta enviada à um leitor de Senhor dos Anéis, em 20 de setembro de 1963, fala sobre a ligação entre O hobbit e O Senhor dos Anéis.

Há certamente muitos elos entre O Hobbit e O Senhor dos Anéis que não estão claramente elaborados.

Foram em sua maior parte escritos ou esboçados , mas foram cortados para aliviar o barco: como, por exemplo, as viagens exploratórias de Gandalf, 

suas relações com Aragorn e Gondor; todos os movimentos de Gollum até ele se refugiar em Moria, e assim por diante. De fato, escrevi um relato completo do que realmente aconteceu antes da visita de Gandalf a Bilbo e da subsequente “Festa Inesperada”, tal como o próprio Gandalf a viu. Ele deveria ter sido incluído numa conversa retrospectiva em Minas Tirith; mas teve de ser eliminado, e só está representado brevemente, apesar de estarem omitidas as dificuldades que Gandalf teve com Thorin. 

Esse relato de Gandalf é apresentado aqui. A complexa situação textual é descrita no Apêndice da narrativa, onde forneci excertos substanciais de uma versão mais antiga. As Cartas de J. R. R. Tolkien – página 317.

Assim, acredito que as inserções das viagens de Gandalf à Dol Guldur foram devidamente acertadas,e Tolkien postumamente ratificou essas inserções gloriosas.

Ver Frodo novamente foi recompensador. Peter Jackson acertou mais uma vez, trazendo Elijah para reviver Frodo. O “gap” que foi preenchido com sua aparição foi fantástico.

Não contarei o filme aqui pois acredito que muitos ainda verão e aqueles que viram tem a história vívida na memória, pois é impossível esquecer um filme desses tão fácil.

O filme à todo momento manteve seu tom jovial, que é o mesmo do livro. As risadas e cantorias permearam os 170 minutos da película.

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O tom infantil do livro foi mantido

E foi exatamente isso que me agradou no filme. Não posso deixar de citar a inserção, de forma acertada, das músicas contidas no livro.

Achei que Peter Jackson acertou ao trazer esses momentos mágicos para o filme original, e não apenas na versão estendida.

Os livros de Tolkien são recheados de musicas, e é algo que ele sempre tratou com carinho.

Então no filme temos:

– A musica cantada pelos anões quando estão guardando a louça; “Blunt the Knives”;

– A música dos anões antes de partirem para sua jornada; “Over the Misty Mountain”;

– A música cantada pelos Orcs quando capturam os anões nas Montanhas Sombrias.

A duração do filme não me desagradou. Muito pelo contrário, me alegrou e muito.

A ação no filme não deixou a desejar. Após o ataque de Smaug à Erebor, não demorou muito para vermos o embate com os três trolls, os gigantes de pedra, os orcs liderados pelo Grão-Orc das Montanhas Sombria, as adivinhas no escuro, e a perseguição de Azog e com seus wargs.

Os fãs foram agraciados e se deliciaram com 2 horas e 50 minutos de filme e se pudesse eu gostaria de mais. 

O Conselho Branco discutindo sobre Dol Guldur
O Conselho Branco discutindo sobre Dol Guldur

Mas reconheço que o filme teve momentos arrastados para alguns dos espectadores. Eu sou fã incondicional da obra de Tolkien e para mim, qualquer minuto a mais no filme é algo maravilhoso.

Mas para aqueles que gostaram de O Senhor dos Anéis e gostam da temática de Fantasia, o filme pode ser moroso em determinados momentos e eu entendo completamente isso.

O Conselho Branco aparece e fiquei feliz de ver Christopher Lee novamente na telona. Talvez seja o ultimo filme dele. =(

Uma cena que deve ser citada é o momento onde  a Comitiva está passando pelas Montanhas Sombrias e chove muito.

Primeiro devo mencionar o trabalho de 3D na chuva. Achei sensacional.

THE HOBBIT: AN UNEXPECTED JOURNEY
Elementais… a especialidade de Del Toro

E por último mas não menos importante, falar dos gigantes de pedra a la Guilhermo Del Toro.

Os gigantes tem a assinatura dele. Eu vejo os gigantes e só consigo pensar na filmografia desse distinto diretor.

Sei que boa parte do roteiro é dele, e consigo enxergar isso no momento da briga entre os Gigantes de Pedra e dos Orcs das Montanhas Sombrias que levam uma certa dose de caricatura.

Li em alguns blogs renomados sobre a inserção dos gigantes de pedra no filme.

Alguns reclamaram do modo como os gigantes foram retratados. Outros dizem que os gigantes de pedra não existem e são uma metáfora que Tolkien usou para falar sobre a queda de pedras das montanhas.

Eu discordo de todos.

Gostei do modo como eles foram retratados e acho que traz a essência de Guilhermo Del Toro ao filme.

E quanto aos gigantes de pedra serem uma metáfora, não há como sustentar essa tese. Pois Gandalf, após fugir das Montanhas Sombrias, conversa com Bilbo sobre a abertura na caverna pela qual eles entraram e menciona os gigantes.

-Preciso ver se encontro um gigante mais ou menos confiável para bloqueá-la de novo- disse Gandalf – ou logo não haverá como atravessar a montanha. O Hobbit, página 95.

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Encontro dos Istaris

Fiquei feliz em ver Radagast o Castanho no filme.

Eu sempre gostei da história dos Istaris (Magos) que chegaram a Terra-Média. e achei interessante ver Gandalf citando os Magos Azuis e não lembrando o nome deles.

Radagast apareceu de forma satisfatória, trazendo ao conhecimento de todos Dol Guldur.

Essa é uma trama paralela extremamente importante. O necromante não é ninguém menos que Sauron. Ali ele está tentando reunir os antigos anéis de poder, e já conseguiu os nove dos humanos. Podemos ver que um espectro ataca Radasgast com uma lamina de Morgul.

Há outros pontos importantes em Dol Guldur que tratarei mais abaixo. 

Diferenças muito bem-vindas

É claro que há algumas diferenças entre a história nos livros e a história contada no filme. Mas acreditem, tudo que foi alterado foi para melhor.

Acredito eu que Peter Jackson condensou a história dos anões de Erebor para que aqueles que não conhecem a fundo a historia pudessem entender e dar um ritmo rápido para a introdução do filme.

Sobre Erebor

No Livro

Thorin Oakshield
THORIN II

Thrain I e seu filho Thorin I chegaram a Erebor e ali iniciaram seus trabalhos.

Thrain I tornou-se Rei-sob-a-Montanha e encontram a pedra Arken.

Thrain I morre de causas naturais.

Thrain morre e seu filho Thorin I abandona Erebor e segue para as Montanhas Cinzentas, pois lá se reunia a maioria dos anões.

Passam-se 79 anos e Thorin I morre.

300 anos se passam e Dain o Rei nas Montanhas Cinzentas é morto por um Dragão Frio.

O filho de Dain I, Thror I leva os sobreviventes para Erebor e lá instaura novamente o reino de Erebor, levando novamente para a montanha, a Pedra Arken.

Quase 50 anos depois nasce Thrain II (esse é o Thrain do filme) e após 100 anos nasce Thorin II (esse é Thorin Escudo-de-Carvalho).

Smaug surge e toma para si Erebor e Thror I, Thrain II e Thorin II fogem.

No Filme

Peter Jackson condensa as histórias de Thrain I e Thorin I de uma forma satisfatória.

Assim, Thror encontra a pedra Arken e se torna o Rei-sob-a-Montanha. Smaug desola Erebor e expulsa os anões.

Sobre Azog, o antagonista de Thorin

The Hobbit: An Unexpected Journey
Thorin, momentos antes de enfrentar Azog

No Livro

Azog mata Thror, mas depois é decapitado por Dain I às portas de Moria.

Seu filho Bulg promete matar os herdeiros de Durin.

No Filme

Azog mata Thrór, mas tem seu braço arrancado por Thorin Escudo-de-Carvalho.

Outra diferença que merece ser citada é que no livro, Gandalf expulsa o Necromante de Dol Guldur antes de Bilbo nascer, já no filme ele descobre a existência do Necromante durante o avanço da Comitiva de Thorin.

É perfeitamente aceitável essa mudança, pois se o livro fosse seguido não haveria como mostrar a ascensão de Sauron no filme O Hobbit.

Sobre o ataque dos Wargs, no livro eles estavam sozinhos quando atacaram a Comitiva nas árvores. Já no filme eram liderados por Azog.

As outras diferenças bem pequenas e não tem relevância para ser citada aqui.

E acredito que todas as pequenas mudanças foram feitas com intuito de dar ao público um vilão que continuasse a perseguir os protagonistas no próximo filme. Uma técnica narrativa para criar vínculos para o próximo filme.e deu certo. Eu espero ver Azog sofrendo nas mãos de Thorin.

Há mais detalhes que não apareceram. Principalmente detalhes contidos em Os Contos Inacabados e no Apêndice de O Senhor dos Anéis, mas vou me abster de comentar pois alguma coisa me diz que esses pontos serão abordados no próximo filme.

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Cena que estará em o Hobbit: A Desolação de Smaug

E que venha O Hobbit: A Desolação de Smaug

Conclusão

THE HOBBIT: AN UNEXPECTED JOURNEY
Essa cena me lembrou o filme A Caravana da Coragem

O filme é fiel ao livro de 1937 de J. R. R. Tolkien. O livro carrega um tom infantil muito grande e conseguimos ver isso. 

E não apenas isso, o filme é mais.

O  filme superou todas minhas expectativas pois foram além das páginas de O Hobbit, alcançando as páginas de Contos Inacabados  e dos apêndices de o Senhor dos Anéis.

Não sou fã de O Senhor dos Anéis. Sou fã da Terra-Média e de Tolkien, e para um fã assim o filme deve  ser considerado um convite de retorno a Terra-Media, um Prelúdio de O Senhor dos Anéis… e espero que seja um caminho para O Silmarillion.

O Hobbit é uma obra de arte e um divisor de águas.

O primeiro filme em 48 frames, o HFR.

Um filme que quebra novamente as regras hollywoodianas e nos traz 03 filmes de quase 03 horas cada um, para contar uma história. 

Resumo de O Hobbit em uma imagem
Resumo do Hobbit em uma imagem

Peter Jackson teve aval de contar a história como ela é, sem ter que se preocupar com impactos financeiros e publicitários.

Um filme que traz um gosto de infância e um gosto de nostalgia.

É como passar 10 anos longe de casa, e subitamente voltar e ver seu lar doce lar, perfeito, do modo como você havia deixado.

E tudo começa com uma simples frase…

Numa toca no chão vivia um hobbit.

 

O Hobbit

Uma novidade legal é a edição comemorativa de aniversário de 75 anos da 1ª edição de O Hobbit

Aproveitem!

O Hobbit edição comemorativa

5 comentários sobre “O Hobbit: Uma Resenha Esperada

  1. Oi Drunk!

    Em primeiro lugar, eu agora tenho que ver de novo, porque nenhuma das duas vezes que vi foi em 3D, e você me deixou com vontade ;D. Brincadeiras à parte, concordo com tudo que você disse. O filme é perfeito, tem a duração exata, as mudanças foram muito bem vindas e fizeram muito bem em dividir em uma nova trilogia. Como você, antes eu também achava exagero dividir, estava em dúvida se havia material suficiente para uma trilogia. Mas depois dos primeiros minutos ficou bem claro que sim, era necessário. Não tem pra ninguém, nenhum outro diretor entende a Terra Média como Peter Jackson. e ele, ao contrário de muitos outros diretores por aí, claramente usa o livro como guia, e não como base de apoio. Era necessário sim explicar a queda dos anões, dar uma motivação maior à busca do que somente reaver o ouro. O que muita gente não entendeu. Gente que não necessariamente não ´pe fã da obra de Tolkien. Eu só li mesmo O Senhor dos Anéis e O Hobbit. Até tentei ler O Silmarillion, mas não consegui terminar. Pretendo retomar (para isso só preciso achar o meu livro), assim como ler o Contos Inacabados e Os Filhos de Hurin. E o que também muita gente não entendeu é que o filme é sim mais infantil, pelo simples fato de o livro também ser (OI! Ele escreveu o livro como história de ninar para os filhos!). Também gosto da ligação que ele fez com OSDA, e adorei a aparição de Frodo. Como você disse, preencheu um gap que precisava mesmo. E também gosto do fato de já estarem preparando o terreno para os eventos narrados em OSDA. Era necessário isso, sim. Si, talvez tenha momentos mais arrastados (eu não achei. Como você, pra mim as duas horas e cinquenta passaram sem eu sentir. Mas para minha irmã, que também é fã de OSDA já pareceu longo. Mas ela anda reclamando disso em todos os filmes que ela vê;P). Mas não foi por acaso, e era si, repito, necessário. Também gostei do fato de os anões ganharem individualidade (mas não reclamo do destaque dado a Kili ;D) e das músicas, que foi uma coisa que faltou em OSDA. O que se compreende, já que OSDA é mais sombrio, e não havia muito espaço para esses alívios. Como você disse, o cineasta é limitado de uma forma que o autor não é (aliás, isso vale também para o pessoal de Game of Thrones e para lembrar o fãs xiitas que alterações são muitas vezes um mal necessário). Em termos de atuação, o elenco todo é incrível, e Martin Freeman realmente brilha como Bilbo. E Gollum é simplesmente sensacional. Dificilmente uma cena dele é ruim, mas o jogo de adivinhas foi realmente perfeito. Cncordo, nunca mais eu ouço My precious sem ouvir a voz chiada de Andy Serkis na cabeça (tem uma música do Lifehouse que tem esse nome, e nem tem nada a ver com o filme, apesar de Jason Wade ser fã da série. Eu vejo o nome e me vem a voz de Gollum). Visualmente o filme é maravilhoso também, e olha, o formato 48 fps deu uma nitidez de blu ray. Só me tira do sério que eu vejo por aí gente que se diz entendida de cinema metendo o pau, e um chegou a citar:”eu me sinto estendido, como manteiga em um pedaço muito grande de pão” pra cair matando sobre a duração do filme. Mas é gente que não faz o mais básico: ler o livro antes de falar alguma merda. E daí, no mesmo site, os caras falam bem de Amanhecer – parte 2! Eu quis morrer. Eu que nem ganho a vida para fazer isso fiz meu dever de casa, por que essa gente não faz o mesmo em vez de pagar mico nacional?

    Vou parando por aqui, que já fiz outro post! ;D

    Beijos!

  2. Eu tb notei o Gandalf contido, mas como antes de ver o filme li em vários sites a notícia de q o Sir Ian Mckellen tá tratando um câncer há anos (e 10 anos se passaram desde o SDA), eu meio q “dei um crédito”… Coitado, além da idade, ele não está bem de saúde, imaginei a dificuldade q deve ter sido pra ele gravar algumas daquelas cenas! (achei ele extremamente cansado, por exemplo, na cena em q ele fica bravo e “cresce”, qdo os anões na casa do bilbo duvidam da capacidade do hobbit)

Obrigado!

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